
Novas exigências da China impactam exportações de soja brasileira
O mercado de soja nos portos brasileiros registrou desaceleração nos últimos dias após a adoção de novos protocolos fitossanitários exigidos pela China, principal compradora do grão brasileiro. As mudanças geraram impactos imediatos nas operações de exportação e já provocaram a devolução de cargas destinadas ao mercado chinês, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Entre os efeitos mais relevantes está a decisão da Cargill, uma das maiores exportadoras de soja do Brasil, de suspender temporariamente os embarques para a China nesta semana. A medida ocorre enquanto o setor aguarda maior clareza sobre as novas regras sanitárias impostas pelo país asiático.
Representantes do mercado chinês afirmaram que os controles mais rigorosos podem afetar o fluxo de importação de soja brasileira, colocando em risco o abastecimento do maior comprador mundial da commodity.
Entidades brasileiras do setor também acompanham a situação com cautela. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) declararam estar monitorando os desdobramentos com preocupação, especialmente diante da possibilidade de novas restrições nos embarques.
Já o Ministério da Agricultura do Brasil reforçou que a exportação de soja segue os protocolos estabelecidos pelos países importadores, incluindo as exigências sanitárias da China.
Diante das incertezas, muitos agentes do mercado optaram por priorizar negociações dentro do mercado interno, reduzindo temporariamente a dependência das exportações até que haja maior definição sobre os novos requisitos.
Mesmo com o cenário de cautela, os preços da soja registraram leve valorização. Os indicadores do Cepea apontaram alta de 0,9% no Paraná e 1% em Paranaguá entre os dias 5 e 12 de março, sustentados pela valorização internacional da commodity.
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